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Mais uma primavera

Assim como a primavera começa, parece que eu também recomeço. É estranho o entender que nos últimos 12 anos, entre casar, tornar-me adulta e depois mãe, eu acabei por me desconstruir. Tanto aconteceu na minha vida, mas tão pouco por mim mesma. E agora, aos 33 me vejo responsável por todas as decisões que me afastaram de mim e da minha própria construção do ser.

O quanto de nós realmente está nas decisões que tomamos para “crescer”? Como podemos consumir um conteúdo livre, cheio de inspirações, mudanças e temas que refletem a nossa geração, seja ela qual for, para então decidirmos seguir pelos mesmos caminhos trilhados pelos nossos pais e avós, e assim, com a delicadeza da rotina, vamos nos encaixotando, colocando cortininhas, papel de parede e decorações na caixa que nós mesmo nos colocamos.

Quando a minha terapeuta me perguntou “e porque não?!” pela o que parecia ser a vigésima vez, eu me toquei que o que me distancia de ser e fazer o que eu quero são laços que eu amarrei, são ‘nãos’ que deixei de falar e principalmente foi a coragem que me faltou se ser simples comigo e viver da forma como eu acho melhor. Mas estamos, como brasileiros principalmente, imbuídos no ambiente onde fazemos limonadas com os limões que a vida dá, ao invés de simplesmente largar os limões e ir atrás de algo diferente. Seguir nossos princípios e inspirações seria basicamente, “Se a vida de lançar limões, levante-se e vá atrás de outra coisa, larga esse limão. Larga!”

Como diz Mel, “Bora, dale!”. Começar com nãos, limites e aceitações necessárias, de que as pessoas não são confortáveis perto de mudanças. Que a criatividade assusta o normal, mas que pra você o normal é ser assim e diferente é só mais um termo inofensivo. Chegou a hora de entender que na internet, na vida, em tudo, o que brilha é o que é sincero e real. E que talvez tudo esteja meio opaco por aí porque você não esta sendo sincera com você mesmo e muito menos real, apenas sendo a versão aceitável que participa das coisas que deveria, de acordo com os outros.

O que eu sinto agora é um anseio por mim mesma, pelas próximas decisões que vêm. O reencontro com a Juliana que escreve, toma chás (mesmo sem saber escolher sabores), ouve músicas dos anos 90 e frequenta lugares bonitos, porque vale a pena lembrar que precisávamos da beleza antes mesmo dos stories e posts em redes sociais. Abraçar quem somos, nos cuidar e nutrir nossas inspirações com nossas ações faz de nós o que queremos de mudança no mundo. E com a mudança a vida começa.

ouvindo: Flowers – In Love With a Ghost & Nori

desabafo · dicotomias · tô ouvindo

Adulting

Photo by Pixabay on Pexels.com

Primeiro, somos crianças e tá tudo bem. Depois crescemos e começamos a nos questionar e também a questionar tudo ao nosso redor. E então entramos em territórios desconhecidos, onde somos responsáveis pelas nossas decisões e reações das mesmas. Ser jovem adulto é tão gostoso, é realmente sentir o mundo, mesmo que seja nas nossas proximidades, na ponta dos dedos. E ser uma millennial fez de mim uma ser humana inquieta. Como diz Luna, ” quero saber, quero ver, quero entender”.

Agora com 32 com uma família que tem além dos adultos envolvidos, uma criança e dois gatos, a vida pede e clama por realidade. A realidade da vida adulta é bem mais simples e dura do que as descobertas de uma jovem adulta. Mas a impressão mais impactante dos meus primeiros momento como adulta real oficial é como tentamos desesperadamente trazer a inconsequência adiante.

Estou no meio duas verdades, veja só. Minhas inspirações vêm de professoras e professores bem sucedidos em ensinar valores éticos e morais, vêm de amigas e amigos que apesar de todos os revés da vida continuam trabalhando levando em consideração a humanidade e senso de justiça. Isso tudo é muito excitante, viver num mundo onde você é realmente responsável chega até a dar frisson. E descobrir também que o adulto faz tudo isso pra na verdade só buscar tranquilidade, calmaria e sossego. Seja trabalho honesto pra conhecer o mundo, comprar coisas gostosas, whatever. Mas viver de boas.

E aí vem o clash encontrar esses adultos que continua buscando os mesmos objetivos que os que eu falei antes, mas com nenhum senso ético. Ora veja, é professor universitário cometendo evasão fiscal e querendo aprovação dos alunos, é familiar sonegar impostos, é politicagem em massa com o único objetivo de enriquecer o próprio bolso. Enfim essa lista cresce, sem limites.

Ver essa dicotomia é algo curioso e às vezes pende a balança para a energia de se fazer o certo cada vez mais, e às vezes pende para a inconformidade em ver pessoas assim atingindo qualquer tipo de sucesso e visibilidade. Cabe agora a mim, nova adulta tomar as minhas decisões e escolhas a partir do que me guia. Dos professores que me inspiram, das musicistas e músicos, escritoras e escritores, amigas e amigos que me alimentam do que é o norte da tranquilidade.

Espero que esse texto traga reflexão, e aí qual é o seu norte?

PS: estou ouvindo: Margaret Glaspy – Without Him

tô ouvindo

2020 é o ano pra voltar a escrever

O difícil ainda é o rótulo, gosto muito dos blogs pessoais, que me levam ao começo do novo milênio, onde eu lia mais do que assistia televisão. Sem nenhum objetivo além de colocar pra fora tudo o que consegue, num post que não tem a necessidade de gerar likes ou conduzir nada além dos próprios devaneios e idéias. Ô coisa boa. Não me encaixo nos blogs maternos, nem nos blogs sobre empreendedorismo, não quero ser referência pra nada.

Mas uma coisa é nova, escrever com meu nome real é algo novo e que arrepia os pelinhos do braço. Era tão mais fácil me proteger em um pen name, confortável até. Mas se tem uma coisa que olhar pra dentro me trouxe é o passo mais que preciso de me assumir. Eu costumo colocar meus óculos embaixo do travesseiro pra dormir, e agora parece que eu estou me tirando de debaixo do travesseiro e vou me usar. What a ride!

Essa jornada é sinceramente muito pessoal, mais pra mim do que pra qualquer amigo que saiba que disso, mas que momento legal de se viver. Não sou nada além de uma estudante e uma mulher extremamente observadora, mas guardo tanto que é desnecessário. Talvez isso me ajude a organizar as idéias, quem sabe?

Tô ouvindo Snail Mail ” Pristine”